IBRE e EESP reúnem em livro propostas para resgatar a indústria da estagnação

A recente queda dos preços internacionais das commodities e o registro do primeiro déficit comercial do país desde os anos 2000 colocou a indústria brasileira numa situação ainda mais crítica do que a vista nos últimos anos. A necessidade da redefinição do papel do setor na economia parece agora ser tão urgente quanto o ajuste fiscal na tentativa de retomar o crescimento do Brasil. Pensando nisso, o Instituto Brasileiro de Economia (IBRE) e a Escola de Economia de São Paulo (EESP), ambos da Fundação Getulio Vargas (FGV), lançam na próxima terça-feira, 19, o livro "Indústria e Desenvolvimento Produtivo no Brasil", na Livraria da Travessa do Shopping Leblon, às 19 horas. Publicado pela editora Elsevier, os temas abordados ao longo das mais de 700 páginas do título procuram mostrar os desafios enfrentados pelo setor industrial brasileiro, além de propor formas de recuperá-lo da estagnação. A obra é dividida em sete partes e subdividida em 24 capítulos. Os organizadores são Nelson Barbosa (EESP), Nelson Marconi (EESP), Mauricio Canêdo Pinheiro (IBRE) e Laura Carvalho (USP).

"Indústria e Desenvolvimento Produtivo no Brasil" é fruto das discussões ocorridas em seminário sobre o tema promovido em maio do ano passado em São Paulo, pelo IBRE e pela EESP. "A partir desse debate, que durou dois dias, os palestrantes condensaram as principais ideias em capítulos para o livro", conta o pesquisador da Economia Aplicada da FGV/IBRE, Maurício Canêdo. Para ele, um dos principais diferenciais da obra é a pluralidade. "Quem o ler verá que os pontos de vista dos 36 autores reunidos ? de dez instituições entre universidades, institutos, além do BNDES ? nem sempre são convergentes", afirma.

O diagnóstico, do qual todos concordam, entretanto, é um só: a necessidade de revisar a estrutura produtiva do país e resgatar a competitividade do setor. "O momento de suscitar o debate é oportuno e necessário. A indústria promove encadeamentos produtivos relevantes em vários segmentos e, via de regra, gera mais impacto no restante da economia do que outros setores podem gerar", destaca Nelson Marconi, professor da FGV/EESP.

Entre os destaques, o livro apresenta os fatores que contribuíram para o desempenho da indústria brasileira na última década, a expansão do mercado interno e do crescimento econômico, além de relatar os eventos que provocaram a gradual perda de competitividade do setor, como a depreciação cambial e a política macroeconômica adotada não só no Brasil, mas também em outros países. Atualmente, o cenário não é dos mais favoráveis. Além da perda de competitividade, há queda da demanda, maior concorrência e o declínio do setor industrial brasileiro.

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